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A morte e a ressurreição de Jesus

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Estimados leitores e leitoras!
Neste mês, o calendário traz uma das mais importantes festas cristãs: a Páscoa. Para tanto, quero refletir sobre alguns elementos que precedem a Ressurreição do Senhor. Durante a Semana Santa, comunidades cristãs preparam e apresentam encenações da Paixão e Morte de Cristo, e também canais de TV colocam em sua programação filmes sobre a vida de Jesus Cristo. A partir dessas iniciativas, pergunto-me: Quem é Jesus? O que ele veio fazer? Por que morreu numa cruz?

Na compreensão do evangelista Marcos, Jesus é o Filho de Deus. Jesus é o presente de Deus à humanidade. Para o evangelista João, Deus amou tanto o mundo que entregou seu único filho, na Encarnação, para conduzir cada ser humano a Deus. Sobre sua identidade, disse Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Jesus veio para fazer a Vontade de Deus. Qual é a vontade de Deus? Revelar o grande amor de Deus pela humanidade. Veio ser a imagem do Deus invisível. Jesus, ao mesmo tempo em que veio mostrar a identidade do Pai, também nos dá acesso a Ele e nos leva a participar de sua condição divina. Isto é, do plano inicial da criação humana.

Diante desta proposta, Jesus foi levado à morte de cruz. No entanto, não foi, literalmente, a morte de cruz que trouxe a salvação à humanidade, pois era comum na época matarem pessoas crucificando-as. O que trouxe, de fato, a salvação foi ter se entregado livremente à morte. A ocasião da morte de cruz, no entanto, teve dois motivos: político e religioso.
Em relação ao motivo político, Jesus, com seu carisma, amor e ensinamentos, fascinava multidões. Com isso, o Império Romano passou a vê-lo como um perigo ao poder. Mas, o argumento de acusação mais contundente foi o religioso, pois Jesus disse que era Filho de Deus, questionou a mentalidade religiosa da época e a exploração do povo pelos organizadores do Templo de Jerusalém, que o acusaram de blasfemador e agitador do povo.

Portanto, a circunstância da morte de cruz não é o principal tema da salvação trazida por Cristo, mas o ter se entregado, por amor e de livre e espontânea vontade, é o centro da sua ação salvadora. Deus Pai, na verdade, não queria a morte de seu Filho, porém os homens mataram-no; no entanto, logo o ressuscitou dentre os mortos, colocando-o a sua direita e, por Ele, agora, todos temos acesso ao Pai e participamos, pelo batismo, da sua condição divina, voltando, assim, à condição primeira da criação.
Os apóstolos tiveram dificuldades para acolher a morte do mestre, mas Ele ressuscitou e apareceu diversas vezes para eles. Ninguém foi testemunha ocular da ressurreição do Senhor, mas uma das maiores provas que Ele está vivo é a mudança de comportamento dos seus seguidores, ou seja, de amedrontados passaram a anunciadores. Essa experiência mudou completamente a vida de cada um deles.

O encontro com o ressuscitado, portanto, traz paz e entusiasmo, bem como o desejo de comunicá-lo, conforme a afirmação exortativa do Papa Francisco na Alegria do Evangelho: “Um amor que não sentisse a necessidade de falar na pessoa amada, de apresentá-la, de torná-la conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração para Lhe pedir que volte a cativar-nos” (n. 264). Os beatos João Paulo II e João XXIII foram cativados pelo Senhor e o anunciaram com alegria e serão canonizados no dia 27 de abril. Confira na matéria especial seus dados biográficos.
Que o conteúdo desta edição encha o seu coração de alegria e de entusiasmo no anúncio do Ressuscitado pela intercessão carinhosa de Nossa Senhora Rainha dos
Apóstolos. Boa leitura e Feliz Páscoa em família!

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